
Texto: Anne Rose/ Fotos: Danilo Oliveira
Para muitos, correr 7 quilômetros pode parecer apenas um desafio esportivo. Para José Luciano da Silva, de 70 anos, chegar ao fim de um percurso é também uma forma de celebrar uma transformação que começou bem antes da linha de chegada. Há dois anos, ele participa das atividades físicas oferecidas pela Prefeitura de Coruripe e encontrou no exercício uma nova rotina, novas amizades e, principalmente, mais disposição para viver.
“Eu transformei a minha vida um pouco”, conta José Luciano, que participa dos treinos três vezes por semana. Aos 70 anos, ele diz se sentir realizado com as atividades e não pretende parar. “Eu me sinto muito bem. Sou muito feliz e muito grato com isso.”
A história de José é uma das que ajudam a explicar o significado da 2ª Corrida da Saúde de Coruripe, realizada neste domingo (16). Mais do que uma competição, o evento foi pensado como uma extensão das ações de promoção da saúde desenvolvidas no município e mostrou, na prática, como a atividade física pode se tornar uma ferramenta de transformação na vida das pessoas.
A segunda edição reuniu mais de 700 inscritos, entre corredores experientes, moradores, visitantes e usuários das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que já participam de atividades de educação física oferecidas pela rede municipal. A corrida contou com percursos de 3 e 7 quilômetros, permitindo que pessoas com diferentes níveis de preparo participassem da programação.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Maykon Beltrão, a iniciativa nasceu justamente com o objetivo de aproximar os pacientes da prática de exercícios. Dos inscritos neste ano, 154 participavam das atividades de educação física desenvolvidas pela rede. Atualmente, cerca de 2.500 pacientes fazem parte desses programas no município.
Para o secretário, os números mostram que o investimento em atividade física ultrapassa a realização de uma corrida e pode produzir mudanças concretas no cotidiano da população.
“Estamos muito felizes com a segunda Corrida da Saúde e com esse sucesso de público. A nossa ideia é investir cada vez mais na saúde, na qualidade de vida e na superação das pessoas”, destacou.
Da atividade física à mudança de rotina
Foi justamente essa mudança que José Luciano experimentou. Antes de entrar na rotina de exercícios, ele passou por um período difícil depois de um problema de saúde enquanto ainda trabalhava em uma usina. O episódio fez com que ele deixasse o emprego e passasse a lidar também com preocupações relacionadas à própria saúde.
Hoje, ele mantém o acompanhamento médico e continua tomando a medicação para pressão arterial, mas afirma que as atividades físicas mudaram sua disposição e sua forma de encarar o dia a dia.
“Eu faço essas atividades, fico lá com a turma, a gente conversa. É muito divertido. Para mim é uma coisa muito legal mesmo”, relata.
A experiência também ganhou um componente social. José encontrou nos treinos não apenas uma oportunidade para se exercitar, mas um espaço de convivência. A atividade passou a fazer parte da rotina e criou uma rede de incentivo entre os participantes.
A transformação aparece também nas histórias de outros usuários. De acordo com Maykon, há participantes que começaram a se exercitar depois da primeira edição da Corrida da Saúde e que, um ano depois, já estavam preparados para encarar os 7 quilômetros. Para ele, exemplos assim mostram que o principal resultado da iniciativa não está necessariamente no pódio.
“Tem pessoas que, por causa da corrida do ano passado, começaram a correr. Pessoas que eram obesas e este ano já vieram participar dos 7 km. O mais importante é a saúde, a qualidade de vida e a superação”, afirmou.
A proposta do município é ampliar ainda mais esse trabalho. A intenção é manter o percurso de 3 quilômetros, pensado especialmente para os pacientes que participam das atividades físicas, e estudar a criação de novas distâncias nas próximas edições, como 5 e 10 quilômetros.
A primeira corrida, realizada em agosto de 2025, teve cerca de 500 participantes. O crescimento da segunda edição, que chegou a mais de 700 inscritos, reforça a ideia de transformar o evento em uma tradição do calendário municipal.
O prefeito Marcelo Beltrão também encarou o desafio e ao completar a prova destacou, o resultado da segunda edição e a importância de dar continuidade à iniciativa. Segundo ele, o sucesso do evento é consequência da disposição de fazer o projeto acontecer e seguir trabalhando para ampliar sua participação.
Corrida também movimenta comércio e turismo de Coruripe
O impacto da Corrida da Saúde não ficou restrito ao percurso. A presença de participantes de outras cidades também movimentou o comércio, as pousadas e outros serviços do município durante o fim de semana.
Mercados receberam visitantes que chegaram para participar da corrida e precisaram comprar alimentos e outros produtos. Lojas também foram procuradas por corredores em busca de itens como viseiras, chapéus, shorts, tênis e meias.
Nas pousadas, a movimentação também foi percebida. Participantes chegaram acompanhados de familiares e alguns aproveitaram para permanecer na cidade após a prova, conhecendo destinos turísticos como a Lagoa do Pau.
“A corrida já ultrapassou a proposta inicial de reunir os pacientes da rede municipal e ganhou uma dimensão maior, atraindo corredores de outras cidades e despertando o interesse de famílias que aproveitaram a passagem por Coruripe para conhecer as belezas naturais do município. Isso fortalece nossa cidade, o comércio e o turismo, e todos ganham”, completou o prefeito.
O secretário Maykon Beltrão, ressaltou ainda o caráter solidário da corrida. A própria proposta solidária da corrida contribuiu para ampliar também a movimentação no comércio. Em vez de uma inscrição baseada exclusivamente em dinheiro, a iniciativa envolveu a arrecadação de alimentos não perecíveis, que serão destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social atendidas pelo município. Assim, quem foi a Coruripe para correr também ajudou a levar alimento para quem mais precisa.
O resultado é um evento que reúne diferentes dimensões em uma mesma manhã: esporte, saúde, solidariedade, convivência e economia. Para quem corre, pode ser uma medalha, um tempo melhor ou a superação de uma distância. Para quem está começando, pode ser simplesmente o primeiro passo para uma vida mais ativa.
Para José Luciano, aos 70 anos, é a certeza de que esse primeiro passo pode abrir espaço para muitas outras mudanças. “Enquanto eu puder, e se Deus quiser, não vou deixar de fazer minhas atividades, que além de fazer bem meu corpo, acaba ajudando a cuidar da minha mente”, encerrou com um sorriso no rosto.
*Por: Prefeitura Municipal de Coruripe