
Ministério Público do Trabalho em Alagoas
/MPT-AL
Após a reeleição do presidente Lula (PT), no último domingo (25), listas de boicote com nomes de artistas, estabelecimentos comerciais e profissionais liberais de Alagoas começaram a circular nas redes sociais. O Ministério Público do Trabalho (MPT) acompanha os casos.
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Nas publicações, usuários incentivam o boicote a comércios e profissionais que declararam apoio a Lula. Segundo o MPT, a prática pode configurar assédio eleitoral, crime eleitoral e ilícito trabalhista.
“Empresas e profissionais liberais prejudicados com essas listas de boicote por conta da orientação política devem procurar o Ministério Público Eleitoral, porque essa é uma conduta extremamente hedionda, reprovável, e precisa ser seriamente combatida”, afirmou o procurador do trabalho Rodrigo Alencar.
Ao g1 , o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Alagoas, Marcus Batalha, informou que repudia qualquer manifestação de intolerância ou discriminação motivada por posicionamentos políticos ou ideológicos, e que o momento exige união e responsabilidade.
“É importante compreender que, por trás de cada estabelecimento, existe uma cadeia econômica e social que envolve empresários, trabalhadores, famílias e fornecedores, além da geração de empregos, renda e tributos que contribuem diretamente para serviços essenciais, como saúde, educação e segurança pública”, afirmou Marcus Batalha.
Agora no g1
O empresário Hyago de Oliveira Santos, dono de uma empresa de acessórios para motos em Arapiraca, no Agreste de Alagoas, divulgou que está em uma dessas listas. Ele lamentou a situação e perguntou aos seguidores se consideravam o caso normal.
“Vamos ‘simbora’ trabalhar, se apegar a Deus e fazer as coisas boas. Eu tenho amigos que votaram no [Flávio] Bolsonaro, tenho amigos que votaram no Lula, tenho funcionários dos dois lados. Cada um tem o seu direito de escolher e votar em quem quiser. Eu jamais vou deixar de trabalhar por conta disso”, afirmou Hyago.
Sobre casos em que empregadores perseguem funcionários por causa da orientação político-partidária, o procurador Rodrigo Alencar explicou que a legislação brasileira proíbe esse tipo de conduta e prevê sanções aos responsáveis.
“O trabalhador que é vítima de assédio eleitoral pode fazer uma denúncia anônima ao MPT. Ele pode entrar com uma ação individual ou coletiva, pedir uma indenização se for dispensado. Além de pagar a multa, o empregador pode pagar o salário em dobro, durante o tempo que o funcionário ficou afastado”, concluiu.
Por fim, o MPT orienta que o trabalhador denuncie os casos de assédio eleitoral pelo site, pelo telefone (82) 3201-5000 ou pessoalmente na sede do órgão.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é reeleito para quarto mandato
Foto: Ricardo Stuckert
Por: G1 Alagoas