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Quando suplementar é salvar vidas: a história de Daphne Maitê e o cuidado que chega a mais de 100 pacientes em Coruripe

Texto: Anne Rose/ Fotos: João Alexandre

Quando Daphne Maitê chegou a um hospital de Coruripe, ainda bebê, sua mãe, Mariele dos Santos Gouveia, viveu um dos períodos mais difíceis de sua vida. Daphne Maitê havia nascido de parto normal, com pouco mais de 2 quilos. Depois de cerca de 15 dias em casa, começou a apresentar dificuldades para respirar e precisou ser internada. Primeiro, passou 15 dias na UTI. Depois, voltou a ser internada e permaneceu no hospital quatro meses.

Durante esse período, foram identificados extremo baixo peso, bronquiolite, duas hérnias e um leve sopro no coração. A menina também apresentava dificuldades para se alimentar. Não tinha força sequer para sugar o leite materno e não conseguia se adaptar às fórmulas que eram oferecidas pela unidade hospitalar.

Foi ainda dentro do hospital que a suplementação nutricional entrou na rotina de Daphne. A nutricionista que acompanhava a criança prescreveu uma fórmula específica, mas o produto não estava disponível naquele momento na unidade. Diante da necessidade imediata, Mariele procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Coruripe.

A equipe do Programa de Terapia Nutricional disponibilizou inicialmente um suplemento para teste de aceitabilidade, enquanto aguardava a fórmula prescrita. Depois, Daphne passou a receber o Infatrini, suplemento que continua sendo utilizado por ela até hoje.

A adaptação foi positiva e, junto com ela, veio o ganho de peso. “Minha filha, com 4 a 5 meses, sequer se equilibrava. Mas, com o uso do suplemento certinho, com 6 meses começou a ganhar peso, então começou a se equilibrar e a sentar quando ainda estava na UTI”, lembra a mãe.

A menina, que havia chegado à internação com cerca de 2 quilos, recebeu alta com aproximadamente 4,8 quilos. Desde então, passou a ser acompanhada pelo Programa de Terapia Nutricional da Secretaria Municipal de Saúde. E hoje, aos 2 anos e 1 mês, Daphne pesa 10,3 quilos e mede 74 centímetros. Embora ainda esteja um pouco abaixo do peso esperado para a idade, a evolução é acompanhada mensalmente pela equipe.

“Ela é uma criança que tinha muito baixo peso. Nós acompanhamos o ganho de peso mensal dela através dos atendimentos e hoje ela se encontra com 10 quilos e 300 gramas e 74 centímetros. Ainda não é o ideal para a idade dela, mas estamos no caminho certo”, explica a nutricionista, sanitarista e coordenadora da Vigilância Alimentar e Nutricional e do Serviço de Terapia Nutricional de Coruripe, Risoneide Vasconcelos.

Segundo ela, o acompanhamento continuará sendo realizado, assim como a suplementação. “Ela se adaptou bem ao Infatrini, está utilizando e fazendo a alimentação complementar como é o necessário para ela nesse momento. E a gente vai continuar suplementando porque sabe da importância desse suplemento para o desenvolvimento da criança, em especial para Daphne”, ressaltou.

Um cuidado que começou no hospital e continua em casa

Atualmente, Daphne recebe 10 latas de Infatrini por mês por meio do Programa de Terapia Nutricional. Para Mariele, a diferença entre o início da trajetória da filha e o momento atual é visível. A menina que não conseguia se sentar hoje anda, corre e brinca com os irmãos.

“Depois que ela começou a tomar, foi ganhando forças para sentar e agora tem forças de andar e até correr. Graças a Deus, ela não para, corre, brinca e é feliz ao lado dos irmãos”, disse a mãe.

Para a família, o acesso gratuito ao suplemento também representa um importante apoio financeiro. Mariele conta que não teria condições de comprar mensalmente as 10 latas de Infatrini. Segundo ela, o custo ultrapassaria R$ 1,5 mil, valor que comprometeria sua renda, que também é destinada às despesas da casa e aos cuidados dos seus outros cinco filhos, incluindo um autista de 4 anos.

“Eu não teria como comprar o suplemento. Eu não recebo nem a metade desse dinheiro direito e o que recebo é para água, aluguel, energia. Não teria condições de sustentar ela com o Infatrini e os outros com a alimentação básica, principalmente porque essa suplementação é cara”, reforça a mãe.

É nesse ponto que o programa se transforma em mais do que uma ação de assistência nutricional. Para famílias que precisam de fórmulas especializadas, garantir o suplemento significa também garantir a continuidade de um cuidado que, muitas vezes, seria impossível de manter com recursos próprios.

105 pacientes acompanhados pelo município

A história de Daphne é uma das 105 acompanhadas atualmente pelo Programa de Terapia Nutricional da Prefeitura de Coruripe. O serviço atende crianças, adultos e idosos com diferentes condições clínicas e necessidades nutricionais específicas.

São mais de 30 tipos de fórmulas e suplementos destinados a pacientes com câncer, pessoas em tratamento de hemodiálise, crianças com paralisia cerebral, cardiopatias, gastrostomia, alergias alimentares e outras condições que comprometem a alimentação ou a absorção adequada de nutrientes.

Para Risoneide, o atendimento precisa considerar a realidade de cada paciente. “Nós não olhamos o paciente apenas como alguém que tem uma patologia. Olhamos para aquela pessoa que precisa da nossa ajuda e tentamos fazer o melhor. Temos mais de 30 tipos de suplementos para atender às mais diversas necessidades”, explica.

O suplemento pode ser utilizado em diferentes momentos, de acordo com a avaliação da equipe. “O suplemento vem dar suporte para que esse paciente consiga atravessar uma fase crítica da doença, durante a quimioterapia, a radioterapia, no pré e pós-operatório ou em qualquer outro momento em que ele precise de um suporte nutricional maior.”

Por isso, o serviço trabalha com um catálogo diversificado e realiza acompanhamento individualizado. “Cada paciente é único. A gente acompanha com a maior atenção possível e tenta atender às necessidades de cada um”, enfatizou a nutricionista.

Um investimento de cerca de R$ 400 mil por ano

Para garantir o atendimento, a Prefeitura de Coruripe investe atualmente aproximadamente R$ 400 mil com recursos próprios por ano na aquisição dos suplementos destinados aos pacientes acompanhados pelo programa.

De acordo com Risoneide Vasconcelos, alguns pacientes chegam a necessitar de produtos cujo custo mensal ultrapassaria R$ 7 mil. “Temos pacientes que chegam a precisar de uma suplementação que ultrapassa R$ 7 mil por mês. São famílias que não teriam condições de comprar esse alimento. Então, esse programa faz uma diferença enorme na vida dessas pessoas, dando a oportunidade de restabelecimento da saúde e ajudando na qualidade de vida”, comentou.

Para a coordenadora, a manutenção e a ampliação do serviço refletem uma decisão da gestão municipal de priorizar o cuidado nutricional de pacientes que enfrentam condições de saúde que exigem suporte especializado.

“A gestão do prefeito Marcelo Beltrão, através da Secretaria de Saúde, com a atuação do secretário Maykon Beltrão, abraçou o Programa de Terapia Nutricional e, a cada ano, conseguimos ampliar o nosso elenco de suplementos, de acordo com as necessidades que surgem no município. Ou seja, o município não é obrigado a oferecer esse serviço, mas, em Coruripe, a gestão tem esse olhar humanizado e faz questão de investir com muita responsabilidade para ajudar essas famílias, que, na maioria dos casos, não têm a quem recorrer”, completou.

Outras histórias de recuperação

Há pacientes que precisam da suplementação para auxiliar no crescimento e desenvolvimento, outras pessoas em tratamento contra o câncer precisam recuperar o peso e pacientes em hemodiálise necessitam de suporte nutricional específico. Também fazem parte do programa pessoas que enfrentam dificuldades para engolir e que, por isso, precisam de alternativas para manter uma alimentação adequada.

É o caso de Severino Silva, de 39 anos, morador de Barreiras. Pescador, Severino passou por uma cirurgia e por tratamento contra um tumor na cabeça, incluindo quimioterapia e radioterapia. Depois, ficou com dificuldades para engolir e passou a enfrentar problemas para se alimentar.

“Eu não conseguia me alimentar direito. Minha garganta ficou toda inflamada. Graças ao suplemento foi que eu comecei a me alimentar melhor. É um alimento muito bom que eles me deram aqui na Secretaria. Eu tomo três vezes por dia e me sinto bem com ele. Graças a Deus, eu recuperei o meu peso”, falou emocionado.

Severino também não teria condições de arcar sozinho com o custo do produto. “Para mim, o suplemento foi muito bom, porque eu não tenho condições de comprar esse alimento. Foi uma das melhores coisas que aconteceu comigo”, encerrou o paciente.

Cuidar da saúde é olhar para o paciente por inteiro

O Programa de Terapia Nutricional integra as ações da Secretaria Municipal de Saúde voltadas ao cuidado integral dos pacientes. A proposta é garantir que a necessidade nutricional seja considerada como parte do tratamento, especialmente em situações nas quais doenças, internações ou condições clínicas específicas comprometem a alimentação.

“Temos crianças que dependem desse suplemento para sobreviver. Temos pacientes oncológicos que chegam com caquexia e conseguimos, com a suplementação, melhorar o estado nutricional e amenizar parte do sofrimento que eles estão enfrentando. Também temos pacientes em hemodiálise que precisam desse suporte, então esse é um trabalho muito sério e humanizado que realizamos, voltado ao cuidado com as pessoas”, destaca Risoneide.

Para o secretário de Saúde, Maykon Beltrão, garantir o acesso à suplementação é parte de uma política de cuidado integral.

“Cuidar da saúde é enxergar o paciente por inteiro. A suplementação nutricional é uma parte importante desse cuidado porque ajuda pessoas que já estão enfrentando momentos muito delicados. Como gestão, entendemos que garantir esse suporte é também garantir dignidade, qualidade de vida e mais condições para que cada paciente siga seu tratamento e tenha mais qualidade de vida nesse processo”, enfatizou.

O prefeito Marcelo Beltrão destaca que a presença do município é especialmente importante para famílias que enfrentam momentos de dificuldade.

“Quando uma família enfrenta uma doença, principalmente algo tão sério, ela não pode estar sozinha. O município precisa estar presente e fazer aquilo que estiver ao seu alcance para cuidar das pessoas. O Programa de Terapia Nutricional é uma dessas ações que mostram, na prática, que investir em saúde também é cuidar da dignidade e trabalhar continuamente para melhorar a qualidade de vida de cada coruripense”, finalizou o gestor.

A história continua sendo contada

Hoje, aos 2 anos e 1 mês, Daphne Maitê continua em acompanhamento nutricional, médico e recebe mensalmente o Infatrini. Para a mãe, a transformação é visível: a menina que chegou ao hospital com cerca de 2 quilos, sem forças para se alimentar e se sentar, hoje corre e brinca com os irmãos. Mariele ainda se emociona ao lembrar daquele período: “Ela chegou entre a vida e a morte. Realmente entre a vida e a morte.”

E, ao resumir o significado da suplementação para a filha, não hesita: “Esse suplemento salvou a vida dela. Hoje ela está aqui, ó. Não para. Corre, brinca, bate em todo mundo, nos irmãos principalmente”, completou a mãe sorrindo.

Para a família, a ajuda da Secretaria de Saúde foi fundamental para que Daphne pudesse superar um dos períodos mais delicados de sua vida. “Se não fosse o Infatrini, o suporte da nutricionista Risoneide e da Secretaria de Saúde, minha filha teria morrido lá dentro da UTI mesmo, e eu nunca teria vivido os momentos incríveis que já vivi com ela e pretendo viver ainda mais com minha princesinha”, terminou a mãe, bastante emocionada.

 

 

*Por: Prefeitura Municipal de Coruripe